O Banco do Nordeste (BNB) terá R$ 60,9 bilhões disponíveis por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para financiar projetos produtivos em 2027. O valor foi anunciado nesta quinta-feira (3), em Fortaleza, e representa um aumento de 15,9% em relação ao orçamento previsto para 2026.

 

O montante é o maior já programado na história do FNE e será destinado a iniciativas nos nove estados do Nordeste, além de 249 municípios de Minas Gerais e 31 do Espírito Santo que fazem parte da área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

 

Os recursos poderão ser utilizados para financiar diferentes setores da economia, incluindo investimentos voltados à expansão de negócios, modernização da produção, geração de emprego e renda, fortalecimento de cadeias produtivas e infraestrutura necessária para novos investimentos.

 

Micro e pequenas empresas terão prioridade

 

Uma parcela significativa do orçamento será direcionada a públicos considerados prioritários. Segundo o BNB, pelo menos 62% dos recursos, o equivalente a mais de R$ 37,8 bilhões, deverão ser aplicados em micro e pequenas empresas e beneficiários dos programas de microcrédito produtivo orientado Crediamigo e Agroamigo.

 

Cerca de 70% dos recursos do FNE têm origem no retorno de financiamentos realizados em anos anteriores. O restante é composto principalmente por recursos do Tesouro Nacional.

 

De acordo com estimativas do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), os recursos do FNE tiveram, em 2025, impacto estimado de R$ 33,2 bilhões no Valor Bruto da Produção, além de R$ 15,2 bilhões em valor adicionado à economia, R$ 6,3 bilhões em massa salarial e R$ 1,6 bilhão em arrecadação tributária.

 

Distribuição dos recursos

 

A aplicação do dinheiro seguirá critérios estabelecidos pelo Conselho Deliberativo da Sudene (Condel). Entre as regras está a previsão de que cada estado receba entre 5% e 30% do total do Fundo, de acordo com as necessidades e critérios definidos para a distribuição.

 

Para o setor de infraestrutura, o limite estabelecido é de até 35% dos recursos.

 

A programação do FNE para 2027 ainda passará por reuniões setoriais nos estados durante o mês de setembro. As contribuições serão utilizadas na elaboração do plano de aplicação, que deverá ser aprovado pelo Condel até dezembro e entrar em vigor em janeiro de 2027.