O Ceará vai receber uma fábrica pioneira dedicada à produção em larga escala de curativos biológicos feitos com pele de tilápia. A unidade será instalada em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, e terá capacidade inicial para produzir cerca de 4 mil curativos por dia, com possibilidade de ampliação nos anos seguintes.

 

A tecnologia utilizada no produto foi desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e utiliza a pele da tilápia, que atualmente é considerada um subproduto da cadeia de produção de pescado. O material será transformado em um curativo biológico destinado principalmente ao tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização.

 

Tecnologia desenvolvida no Ceará

 

O projeto representa a transformação de uma pesquisa científica desenvolvida no estado em uma produção industrial com potencial de atender hospitais, o Sistema Único de Saúde (SUS) e também o mercado internacional.

 

Para chegar ao formato de curativo, a pele passa por processos de liofilização e esterilização por radiação gama. A tecnologia permite que o produto seja armazenado em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. Antes da utilização, o material é reidratado com soro fisiológico.

 

A matéria-prima deverá ser obtida principalmente de peles provenientes da piscicultura do Açude Castanhão, dando uma nova finalidade a um material que seria descartado.

 

Investimento e geração de empregos

 

O empreendimento prevê investimento superior a R$ 52 milhões nos próximos três anos. Além de fortalecer o setor de biotecnologia, a instalação da fábrica deverá gerar novos empregos e movimentar a economia de Jaguaribara e da região do Vale do Jaguaribe.

 

A previsão é de 120 empregos diretos no primeiro ano, número que poderá chegar a 300 postos de trabalho no terceiro ano de operação.

 

A capacidade produtiva também deverá crescer gradualmente. O planejamento aponta para cerca de 180 mil peles processadas por mês no início das atividades, podendo alcançar 400 mil unidades mensais ao final do terceiro ano.

 

Produção em escala industrial

 

Atualmente, a preparação das peles para utilização médica ainda ocorre em escala limitada em laboratório. Com a nova fábrica, a tecnologia poderá ser produzida em volume suficiente para ampliar o acesso ao tratamento.

 

A previsão é que as obras tenham início em outubro de 2026, com um período estimado de 15 a 18 meses para construção, instalação dos equipamentos e validação dos lotes-piloto. Mantido o cronograma, a produção comercial poderá começar em 2028, após o cumprimento das exigências regulatórias e sanitárias.

 

O projeto coloca o Ceará no centro de uma iniciativa que une ciência, saúde, inovação e desenvolvimento econômico, aproveitando um recurso da própria cadeia produtiva local para criar um produto de aplicação médica.