Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) retomaram as investigações arqueológicas na Gruta do Gentio II, em Unaí, no noroeste de Minas Gerais. O local ficou conhecido pela descoberta, na década de 1970, de Acauã, considerada a única múmia conhecida do Brasil e das terras baixas da América do Sul.

 

A múmia pertence a uma menina de aproximadamente 12 anos que viveu há cerca de 3.350 anos. O corpo passou por um processo natural de mumificação favorecido pelas condições secas e estáveis do interior da gruta, que contribuíram para a preservação dos restos mortais.

 

Pesquisadores buscam novos sepultamentos

 

A nova etapa das pesquisas tem como um dos principais objetivos localizar outros sepultamentos e ampliar o conhecimento sobre as populações que ocuparam a região ao longo de milhares de anos.

 

A Gruta do Gentio II está localizada em uma fazenda a cerca de 30 quilômetros do centro de Unaí e reúne vestígios de diferentes períodos da ocupação humana no Brasil Central.

 

Entre 2021 e 2025, os pesquisadores recuperaram mais de 300 partes de sepultamentos humanos, que estão sendo analisadas por equipes no Brasil e no exterior. Também foram encontrados materiais como penas, cestarias, adornos, cerâmicas, sementes e instrumentos de pedra.

 

Pesquisas podem revelar detalhes sobre povos antigos

 

Os materiais encontrados no sítio arqueológico estão sendo submetidos a diferentes análises, incluindo estudos de DNA antigo e de resíduos presentes em recipientes de cerâmica.

 

Segundo pesquisadores da UnB, a localização da gruta, em uma área estratégica entre os altos cursos dos rios São Francisco, Tocantins e Paraná, pode ajudar a compreender as conexões culturais entre diferentes populações que ocuparam o Brasil Central, a Amazônia e o Nordeste ao longo dos milênios.

 

As investigações também buscam identificar possíveis relações históricas, culturais e biológicas entre os grupos que utilizaram a gruta como espaço de sepultamento e povos indígenas que vivem atualmente no Brasil Central.