O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou nesta quarta-feira (12) retaliar países da União Europeia (UE) caso embarcações russas sejam apreendidas pelo bloco. A declaração ocorre em meio ao aumento da pressão europeia contra navios associados à chamada “frota paralela” russa, utilizada para transportar cargas e driblar sanções relacionadas à guerra na Ucrânia.

 

Segundo Putin, autoridades de alguns países europeus estariam tentando restringir a circulação de embarcações ligadas a operadores russos e avaliando a possibilidade de apreender navios e cargas. O presidente russo classificou as medidas como “pirataria e roubo” e afirmou que Moscou responderia caso elas fossem colocadas em prática.

 

Putin também afirmou que uma eventual reação russa não necessariamente ocorreria nas mesmas regiões onde navios russos fossem apreendidos. Segundo ele, a Rússia poderia agir “onde quer que considere necessário e apropriado”, incluindo áreas sob responsabilidade da Frota do Pacífico.

 

Tensão envolve a chamada “frota paralela”

 

A expressão “frota paralela” é utilizada por países europeus para se referir a embarcações, muitas delas registradas sob bandeiras estrangeiras, que são apontadas como parte da estratégia russa para manter o transporte de petróleo e outras cargas apesar das sanções impostas após a invasão da Ucrânia.

 

No mês passado, a União Europeia aprovou um novo pacote de sanções que permite aos países-membros vender petróleo ou cargas apreendidas de embarcações vinculadas à chamada frota paralela.

 

A medida aumentou a tensão entre Moscou e o bloco europeu, especialmente diante da intensificação de inspeções e detenções de navios suspeitos de contribuir para a evasão das sanções.

 

 Medvedev também ameaça retaliaçãoO vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, reforçou o tom adotado por Putin.

 

Medvedev afirmou que a Rússia poderia considerar a apreensão ou detenção de embarcações de países considerados hostis, caso houvesse suspeita de que transportassem cargas destinadas a adversários russos.

 

As declarações elevam a tensão em torno da segurança da navegação comercial e das medidas adotadas pelos países europeus para pressionar Moscou.

 

O cenário é acompanhado de perto pelas autoridades internacionais, enquanto a União Europeia mantém sua política de sanções contra a Rússia em razão da guerra na Ucrânia.