Os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram, nesta segunda-feira (24), medidas de responsabilização civil contra ex-gestores que venham a ser identificados como responsáveis por eventuais prejuízos causados à instituição em operações relacionadas ao Banco Master e à Reag.

 

A decisão foi tomada por maioria dos votos durante uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada de forma on-line. Segundo o mapa sintético divulgado antes da reunião, 7.495 acionistas votaram a favor da medida, enquanto houve uma abstenção.

 

De acordo com o BRB, a autorização permite que o banco adote medidas judiciais para buscar o eventual ressarcimento de danos ao patrimônio da instituição.

 

Medida não aponta culpados

 

O banco destacou que a aprovação da assembleia não representa a definição prévia de responsabilidade de pessoas específicas.

 

A autorização atende ao artigo 159 da Lei nº 6.404/1976 e é considerada uma etapa necessária para que as apurações conduzidas pela Polícia Federal e por outros órgãos de investigação possam avançar.

 

Os eventuais responsáveis serão definidos a partir do avanço das investigações e da identificação da participação individual de cada ex-administrador nas operações questionadas.

 

Investigação envolve Banco Master

 

O caso está relacionado à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar operações envolvendo o Banco Master.

 

Segundo as investigações, o BRB teria adquirido cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master que apresentariam indícios de irregularidades, incluindo problemas de lastro e documentação.

 

Na semana passada, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 60 dias para concluir o inquérito. A corporação também indicou a necessidade de ouvir outros integrantes da antiga diretoria do BRB que participaram da aprovação de operações com o Master.

 

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que comandou o banco entre 2019 e 2025, é um dos investigados e está preso desde abril. O ex-diretor financeiro e de controladoria Dario Oswaldo Garcia Júnior também foi alvo de medidas durante a investigação.

 

 BRB enfrenta crise financeira

 

A aprovação das medidas ocorre enquanto o BRB enfrenta uma grave crise financeira relacionada às operações investigadas.

 

O banco negocia, junto ao Governo do Distrito Federal, alternativas para reforçar sua estrutura de capital. Entre as medidas discutidas está um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, em negociação no âmbito de uma ação que tramita no STF.

 

Com a decisão dos acionistas, o BRB passa a ter autorização formal para buscar judicialmente eventual reparação pelos prejuízos que forem atribuídos a ex-administradores após a conclusão das investigações.