O Ceará desponta no cenário nacional como uma das referências em eficiência e rotatividade no gerenciamento de transplantes de córnea. Ao longo de 2025, o estado contabilizou 1.371 cirurgias realizadas. Embora o número de novos cadastros na lista tenha chegado a 1.639 no mesmo período, a agilidade no fluxo de atendimento permitiu que o estado encerrasse o mês de dezembro com apenas 93 pacientes ativos na fila de espera.

 

A realidade cearense contrasta com o panorama nacional relatado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia. O Brasil alcançou o recorde histórico de 17.790 transplantes de córnea em 2025, superando os 17.108 procedimentos do ano anterior. No entanto, o volume de novas indicações médicas fez com que a fila total no país subisse para mais de 37 mil pessoas, registrando um aumento de cerca de 16% na comparação anual.

 

Atualmente, um paciente no Brasil espera, em média, 370 dias para conseguir realizar o procedimento — um prazo mais que duas vezes superior ao registrado há uma década. A discrepância regional também chama a atenção: enquanto o Ceará mantém uma fila reduzida, o Estado de São Paulo lidera o ranking absoluto com mais de 7,5 mil pessoas aguardando, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Segundo especialistas do setor, o represamento de cirurgias herdado da pandemia, a defasagem nos valores de repasse e o impacto do dólar sobre os insumos dos bancos de olhos são os principais gargalos para a expansão do serviço no país.