O economista José Sergio Gabrielli, coordenador-geral do programa de governo da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu o aumento da cobrança de Imposto de Renda sobre os chamados super-ricos.

 

A proposta foi apresentada em entrevista à Folha de S.Paulo e, segundo Gabrielli, está entre as pautas que a campanha pretende discutir para um eventual novo mandato de Lula.

 

Gabrielli também defendeu mudanças na política de gestão da dívida pública e a possibilidade de o Tesouro Nacional recomprar títulos públicos como estratégia para reduzir a volatilidade dos juros de longo prazo.

 

Mais cobrança sobre altas rendas

 

Segundo o coordenador, a ideia é ampliar as mudanças já implementadas na tributação da renda e aumentar a participação dos contribuintes de maior poder econômico no financiamento do Estado.

 

A proposta de elevar a tributação dos super-ricos, no entanto, ainda não representa uma medida aprovada pelo governo. Trata-se de uma posição defendida por Gabrielli no contexto da elaboração do programa de governo para a campanha eleitoral de 2026.

 

O tema da tributação das altas rendas vem sendo debatido no país dentro de uma discussão mais ampla sobre justiça tributária, equilíbrio das contas públicas e distribuição da carga de impostos.

 

Gabrielli também fala sobre dívida e juros

 

Além da tributação, o economista defendeu que o Tesouro Nacional possa atuar no mercado de títulos públicos por meio de recompras, com o objetivo de ajudar a reduzir a volatilidade da curva de juros.

 

A estratégia seria utilizada para diminuir os juros de longo prazo e melhorar as condições de financiamento da dívida pública.

Gabrielli argumentou ainda que o principal fator de crescimento da dívida pública brasileira estaria relacionado aos encargos financeiros dos juros, e não exclusivamente aos gastos do governo.

 

Em março deste ano, o Tesouro Nacional realizou duas operações de recompra de títulos públicos que, somadas, movimentaram R$ 43,6 bilhões.

 

As propostas deverão ser discutidas ao longo da campanha e, caso Lula seja reeleito, dependeriam de regulamentação e eventual aprovação das medidas necessárias para entrar em vigor.