A policial militar Júlia Nathalia Girão Gomes, de 27 anos, presa por suspeita de envolvimento na morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, poderá ter a situação prisional reavaliada após a conclusão de um relatório da Polícia Civil do Ceará sobre o caso.

 

Raphael, também de 27 anos, foi encontrado morto e carbonizado dentro do próprio carro, na região do Ancuri, na divisa entre Fortaleza e Itaitinga, no dia 11 de agosto. Exames da Perícia Forense indicaram que o soldado foi atingido por disparos de arma de fogo ainda vivo e teve o corpo queimado posteriormente.

 

 Investigação aponta contradições

 

Júlia foi inicialmente localizada em uma área de mata e afirmou aos investigadores que havia sido vítima de um sequestro. Segundo o relato apresentado por ela, estava com Raphael quando criminosos teriam abordado o veículo, matado o soldado e levado a policial para outro local.

 

A versão passou a ser questionada após a Polícia Civil analisar imagens de câmeras de segurança. Os registros indicaram a presença da policial em locais diferentes daqueles descritos em seu depoimento, incluindo uma oficina ligada ao marido.

 

As imagens também passaram a integrar o conjunto de elementos utilizados pelos investigadores para reconstruir os últimos momentos antes da morte do soldado.

 

 Prisão preventiva

 

Júlia foi presa em flagrante no dia 11 de agosto e, posteriormente, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público. A medida foi tomada com base nos indícios reunidos durante a investigação.

 

O marido da policial, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também passou a ser investigado e teve prisão temporária decretada por suspeita de envolvimento no homicídio. Ele havia sido inicialmente preso por outros motivos, após a apreensão de documentos falsos e munições na residência do casal.

 

A defesa dos investigados nega participação no assassinato e afirma que os elementos apresentados até o momento seriam insuficientes para comprovar o envolvimento deles no crime.

 

 Relatório pode definir próximos passos

 

Com o avanço das diligências, a Polícia Civil trabalha na consolidação das informações obtidas por meio de perícias, imagens de segurança, depoimentos e outros elementos reunidos durante a apuração.

 

O relatório da investigação poderá ser utilizado para embasar os próximos passos do caso e avaliar a situação dos envolvidos, inclusive a necessidade de manutenção das medidas cautelares.

 

Até o momento, a investigação ainda busca esclarecer a dinâmica completa do homicídio, a motivação e a participação individual de cada suspeito.

 

O caso é conduzido pela Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), unidade especializada da Polícia Civil do Ceará.

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A situação de Júlia poderá ser novamente analisada pela Justiça conforme o avanço da investigação e a apresentação de novos elementos.